Belo Horizonte / MG - sexta-feira, 06 de dezembro de 2019

Broncoscopia

Broncoscopia


      A broncoscopia é parte integrante do dia a dia de um cirurgião torácico.


      Ajudando no diagnóstico e no tratamento de doenças das vias aéreas.


      Já em 1897, Gustav Killian , o “pai da broncoscopia” , retirou um corpo estranho do brônquio de um paciente com 63 anos usando cocaína como anestesia. Em 1964, na tentativa do diagnóstico precoce do câncer de pulmão, Ikeda desenvolveu o primeiro protótipo de um broncoscópio flexível. Desde então várias mudanças ocorreram promovendo iluminação mais eficiente , imagens mais nítidas, ângulos melhores de visão e um alcance  maior. Este  conforto foi sentido pelo paciente e pelo cirurgião, diminuindo riscos e elevando qualidade. Hoje, a maioria das broncoscopias é realizada em caráter ambulatorial, sob anestesia tópica e sedação.


       As indicações são as mais variadas  e cada caso deve ser estudado detalhadamente.

 

veja um exame no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=o3tLiic2kls


       Algumas das situações mais comuns estão listadas abaixo.


Propedêutica

Terapêutica

Outras indicações

Sintomas

Disfonia (rouquidão), 

Hemoptise, hemoptóicos (escarro com sangue)

tosse crônica

Situações

Ca broncogênico – diagnóstico

Ca broncogênico - estadiamento

Ca de esôfago – estadiamento

Doença pulmonar difusa

Pneumonia persistente ou recorrente

Pneumonias em imunodeprimidos

Atelectasias

Corpos estranhos

Avaliação de retirada de traquesotomia

Estenose das vias aéreas

Abscessos pulmonares

Fístulas 

Intubação difícil

Posicionamento de tubos      especiais Broncografia !



        Em uma sala especialmente destinada à broncoscopia, com infra-estrutura própria fazemos a maior parte das broncoscopias flexíveis sem necessidade de internação.


O preparo consiste em:


  • Jejum de 8 horas para sólidos e de 4 horas para líquidos sem resíduos;
  • Levar todos os exames (principalmente radiografias e tomografias)  préviamente realizados para serem revistos na hora da broncoscopia;
  • Ir acompanhado por uma pessoa responsável - durante o exame frequentemente são usadas medicações para que você durma e por isso você não deve diruigir ou andar sozinho para casa depois.
  • Levar documentos de identidade, carteira do convêncio e guia autorizada.

 

 

Outras recomendações práticas:


  • Lembre ao seu médicos as medicações que você usa, principalmente anticoagulantes, como Marevan, clopidogrel (Plavix) e Ticlopidina (Ticlid), Ácido acetilsalicílico (Aspirina®, AAS®). 
  • Chegue meia hora antes do horário marcado para resolver problemas burocráticos que eventualmente apareçam.
  • A alimentação após o exame poderá ocorrer quando você estiver bem acordado e andando sem ajuda.
  • Evitar o consumo de bebidas alcoócas nas 24 horas que se seguem ao exame.
  • Pode ocorrer febre,  de até 39º, mas não significa infecção. Tome uma medicação antitérmica de sua preferência como dipirona, novalgina, Tylenol e ligue para seu médico.
  • Eventualmente, quando forem feitas biopsias, poderá ocorrer escarro com sangue, que inicialmente é vivo e depois fica mais escuro. Não se preocupe... é normal.

 

 

Achados:


        Ao encontrar uma lesão endobrônquica suspeita faz-se várias biópsias tendo cuidado de evitar áreas com necrose.

        Existem outros recursos a serem empregados além da biópsia brônquica quando o exame é normal. O  lavado bronco-alveolar consiste na injeção e aspiração de soro fisiológico a 0,9%, em volumes variando entre 80 a 240ml, em um determinado segmento pulmonar. Este material aspirado é chamado de lavado bronco-alveolar e pode ser encaminhado à análise citológica, microbacteriológica e imunológica.

        A biópsia pulmonar transbrônquica, punção aspirativa transbrônquica com agulha (de Wang) de linfonodomegalias ou massas peribrônquicas,  escovado e aspirado brônquico também podem ser realizados dependendo de cada caso para ajudar no diagnóstico.


        A broncoscopia rígida ainda encontra indicações precisas. A maior parte delas terapêuticas, como a retirada de corpos estranhos das vias aéreas e dilatações de estenoses traqueais e colocação de moldes. Optamos pela anestesia geral em centro cirúrgico.  A rotina é semelhante à da broncoscopia flexível e a conduta neste momento depende da indicação do exame ou seja: biópsias, aspirar secreções, dilatar estenoses e outras. Toda árvore brônquica deve ser examinada. O alcance deste exame é menor que o da broncoscopia flexível. 

 


Contra-indicações


         As contra-indicações são na maioria das vezes relativas e podem ser dribladas. Há um risco aumentado em pacientes com: enfisema, DPOC, distúrbios ventilatórios em geral, broncoespasmo de difícil controle(asma grave), arritmias, angina instável, síndrome da veia cava superior, distúrbios neuro-psiquiátricos, entre outros. Nestes casos realizaremos o exame no centro cirúrgico com o auxílio de um anestesiologista preparado ou mesmo  no CTI. As complicações graves são raras e frequentemente associam-se à broncoscopia rígida  e  terapêuticas. Hipoxemia (baixa de oxigênio no sangue) e suas consequências, hemoptise (sangramento), perfuração das vias aéreas e  pneumotórax são as mais temidas.